Tradução literal do artigo original em inglês, assinado por Leslie Kean e Ralph Blumenthal.
Sobre uma grande caixa de donuts intactos, no edifício Longworth da Câmara dos Deputados, em Washington, parlamentares ouviam atentos enquanto um neurocirurgião brasileiro descrevia como foi encarar, olho no olho, os grandes olhos lilases de um ser não humano altamente inteligente.
Definitivamente, não era uma reunião comum no Capitólio.
A sessão a portas fechadas, realizada em 15 de janeiro, reuniu três membros do Congresso que buscam maior transparência do governo sobre os Fenômenos Anômalos Não Identificados — por muito tempo chamados de OVNIs — e um grupo de brasileiros que afirmam ter testemunhado a queda de uma nave de origem desconhecida e, posteriormente, o encontro com seus ocupantes não humanos.
Trinta anos depois dos acontecimentos marcantes, a reunião privada em Washington — à qual apenas nós tivemos acesso como imprensa —, seguida por uma coletiva pública cinco dias depois, reacendeu a possibilidade de uma cooperação inédita entre Brasil e Estados Unidos para desvendar os mistérios de um dos casos de OVNI mais bem pesquisados — e mais chocantes — já registrados.
As testemunhas incluíam um neurocirurgião amplamente respeitado, um médico legista e um professor de Geografia. Eles foram levados aos Estados Unidos pelo cineasta James Fox, que entrevistou mais de duas dúzias de testemunhas para um novo documentário de longa-metragem, que amplia a versão lançada em 2022 de seu filme Moment of Contact. Fox investiga o caso há mais de duas décadas, ao lado de seu parceiro brasileiro Marco Aurélio Leal.
“Isso pode encerrar de vez o debate sobre não estarmos sozinhos”, disse Fox durante a coletiva lotada que ele organizou no National Press Club, em 20 de janeiro.

A história é a seguinte: em 13 de janeiro de 1996, na zona rural próxima ao município de Varginha, em Minas Gerais, um professor de Geografia — que também é piloto de ultraleve — relatou ter visto um objeto cilíndrico soltando fumaça e caindo em direção ao solo.
Uma semana depois, três meninas que voltavam para casa atravessando um terreno baldio relataram ter encontrado uma criatura agachada, com olhos avermelhados e pele marrom oleosa, que, segundo elas, comunicava seu sofrimento por meio do olhar.
Pouco tempo depois, as ruas de Varginha foram tomadas por caminhões militares e veículos de emergência, em meio a rumores sobre a captura de dois seres não humanos — um deles posteriormente hospitalizado — e uma operação americana clandestina que teria retirado essas criaturas do Brasil.
Fox afirmou que agora, pela primeira vez, conhece os nomes das pessoas que estariam em posse de vídeos das supostas criaturas não humanas. Apesar das dificuldades para obtê-los, disse: “Eu nunca desisto”.
Procurada, Susan Gough, porta-voz do Pentágono, não respondeu aos pedidos de declaração.
O Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios (AARO), ligado ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos e responsável por investigar cientificamente os FANIs (Fenômenos Anômalos Não Identificados), afirmou em um relatório publicado em 2024 que “nenhuma dessas investigações — incluindo esforços do governo dos EUA, de governos estrangeiros e da academia norte-americana — chegou à conclusão de que qualquer um dos relatos de FANI indicasse origem extraterrestre”.
Ainda assim, o AARO pode não ter total autonomia. Em 2024, segundo Fox, ele se reuniu com integrantes do órgão para discutir um vídeo obtido pela equipe. Entre outros casos, foi debatido o Incidente de Varginha.
Em determinado momento, o diretor do AARO, Dr. Jon T. Kosloski, entrou na sala. Fox contou que perguntou se havia algum plano para informar o público sobre “com o que estamos lidando, realmente”.
A resposta foi direta: “Eu não posso nem repartir o cabelo sem a aprovação do Departamento de Defesa. E você pode me citar.”
Não há dúvida de que o caso Varginha carece de dados materiais definitivos. Até hoje, ninguém conseguiu apresentar fotografias, vídeos, evidências físicas, documentação oficial ou registros médicos capazes de comprovar o episódio de forma conclusiva.
Ainda assim, mais de 20 testemunhas independentes relataram diferentes aspectos do caso ao longo dos anos, oferecendo peças de um quebra-cabeça que, quando reunidas, formam uma narrativa coerente e consistente.
A reunião no Congresso ocorreu no gabinete do deputado Tim Burchett, do Tennessee, e contou com a presença das republicanas Anna Paulina Luna, da Flórida — presidente da Força-Tarefa da Câmara para a Desclassificação de Segredos Federais —, e Eric Burlison, do Missouri, além de assessores.
Dois democratas com histórico de interesse no tema dos FANIs — Jared Moskowitz, da Flórida, e Andre Carson, de Indiana, integrante do Comitê de Inteligência da Câmara — foram convidados, mas não puderam comparecer.

“Você pode começar do início?”, pediu Luna ao neurocirurgião visitante, Dr. Ítalo Venturelli, de 73 anos.
“Quem trouxe o ser? Quero detalhes da interação, do ponto A ao ponto B.”
Burchett também questionou:
“O ser conseguia se comunicar de alguma forma? Era telepático ou algo assim?”
Dr. Ítalo, contou que estava de plantão no Hospital Regional de Varginha no dia do ocorrido. Segundo ele, o ser capturado foi inicialmente atendido por seu colega, o médico Marcos Vinício Neves, que suturou um ferimento no crânio da criatura.
Neves morreu em 2018 e, de acordo com Ítalo, não houve registro médico formal desse procedimento.
Ele afirmou que lhe foi mostrado um breve vídeo em preto e branco do paciente e que, em seguida, passou de três a quatro minutos ao lado da cama, após ser solicitado a fazer uma avaliação visual.
“Sou médico há 46 anos e já realizei milhares de cirurgias”, disse Ítalo em entrevista antes da reunião. “Para mim, era óbvio que aquilo não era um ser humano.”
“Parecia uma criança de sete anos”, relatou aos parlamentares, com o auxílio de uma tradutora. “Os olhos eram de cor lilás. Tanto os olhos quanto o crânio tinham formato de gota. Ele transmitia calma e tranquilidade.”
Segundo o médico, a criatura parecia estar em paz com tudo o que acontecia ao redor e demonstrava uma inteligência superior à dele. Em determinado momento, disse sentir como se estivesse diante de um anjo.
“Eu não diria que se comunicava telepaticamente; ele se comunicava de forma empática”, afirmou. “Através dos olhos.”
“Como eram as mãos?”, perguntou Luna.
Dr. Ítalo demonstrou, erguendo três dedos e um polegar.
Ele disse que ficou fixado nos olhos da criatura, que pareciam comunicar poder, concentração e compaixão. Em determinado momento, o ser olhou para ele, depois olhou pela janela, em direção ao céu azul, e então voltou a olhar para o médico, como se estivesse comunicando o desejo de ser libertado.
Burlison, fazendo anotações, perguntou se o ser usava roupas. Nu da cintura para cima, sob o lençol, respondeu Dr. Ítalo. A pele era branca, o tronco era magro e não havia mamilos. Boca pequena. Apenas um vestígio de orelhas.

Burlison perguntou se outros médicos ou funcionários da equipe poderiam corroborar a história.
“Sim”, respondeu Dr. Ítalo, “mas a maioria tem medo de se manifestar porque foi ameaçada ou teme prejuízos à própria carreira”.
“É muito importante trazer os outros”, disse Burlison.
Dr. Ítalo afirmou que um infarto quase fatal, somado a outros problemas de saúde recentes, o levou a romper o silêncio no ano passado e contar sua história completa a Fox pela primeira vez, mesmo continuando a trabalhar em tempo integral no Hospital Regional.
Carlos de Sousa, o professor de Geografia e piloto de ultraleve, contou aos parlamentares que viu um objeto “em forma de charuto”, que inicialmente pensou ser um dirigível, com um rasgo lateral soltando fumaça branca e lutando para se manter no ar antes de cair próximo a uma rodovia.

Ele disse que foi até o local para ajudar possíveis sobreviventes e foi tomado por um forte odor de amônia misturado com ovos podres. Ao pegar um fragmento do que parecia ser alumínio, Carlos afirmou que conseguiu amassá-lo com a mão, mas que o material imediatamente retornou à forma original. Caminhões militares chegaram em poucos minutos.
Um soldado se aproximou e apontou uma arma para sua cabeça, ordenando: “Saia agora, ou eu vou rachar o seu crânio”, relatou Carlos. Ele largou o fragmento e foi embora do local, mas afirmou que, pouco depois, foi abordado por dois homens em um veículo escuro sem identificação, que ameaçaram sua família e exigiram silêncio. Ele não falou sobre o episódio por mais de duas décadas.
Um terceiro visitante brasileiro, Dr. Armando Fortunato, que é patologista forense e legista criminal da Polícia Civil há mais de três décadas, informou aos representantes que ele havia realizado uma autópsia em um jovem policial militar, Marco Chereze, como parte de uma investigação sobre uma morte inesperada. Uma cicatriz recente foi observada na região esquerda da axila de Chereze, onde ele apresentava uma lesão infecciosa. Apesar das altas doses de medicamentos anti-inflamatórios e antibióticos, a infecção matou Chereze rapidamente. Mais tarde, descobriu-se, embora o Dr. Armando não soubesse na época, que Chereze havia agarrado um dos seres durante a captura, que inadvertidamente o arranhou sob a axila.
Dr. Armando afirmou que foi feito um pedido judicial para a exumação do corpo de Chereze, com a expectativa de coletar bactérias — ou até amostras de DNA — que possam ser submetidas a análises adicionais.
Ele entregou aos parlamentares uma declaração assinada pelo Dr. João Janini, de 89 anos, especialista em anatomia patológica cuja biografia registra mais de 50 mil autópsias realizadas. Janini atestou ter encontrado uma forma rara de bactéria “extremamente letal e agressiva” nas amostras de tecido de Chereze. As características da infecção extrapolavam de tal forma os limites do que é convencional que, em sua avaliação, “levantam a hipótese de origem alienígena”.

Relatos de ex-integrantes do governo dos Estados Unidos envolvendo supostas recuperações de destroços de FANIs e de corpos não humanos continuam surgindo, embora o Departamento de Defesa classifique essas alegações como infundadas.
Em uma audiência no Congresso realizada em 2023, David Grusch, veterano da Agência Nacional de Inteligência Geoespacial, do Escritório Nacional de Reconhecimento e da Força-Tarefa de FANI do Departamento de Defesa, testemunhou sob juramento que os Estados Unidos recuperaram veículos e “material biológico” de origem exótica.
“Material biológico acompanhou algumas dessas recuperações”, afirmou, referindo-se a corpos não humanos e amostras de tecido, citando “pessoas com conhecimento direto do programa com quem conversei e que ainda estão ativamente envolvidas nele”. Desde então, outros ex-funcionários com altos níveis de credenciais de segurança reiteraram declarações semelhantes, algumas vezes também sob juramento.
Kirk McConnell, que atuou por 37 anos como assessor dos Comitês de Serviços Armados e de Inteligência do Senado e do Comitê de Inteligência da Câmara, até se aposentar no início de 2024, abriu o evento de imprensa realizado em 20 de janeiro. Ele esteve entre os assessores dos dois comitês do Senado que investigaram conjuntamente o tema dos FANIs em nome de senadores de ambos os partidos.

McConnell afirmou ao público que relatos semelhantes aos do caso Varginha chegaram aos senadores e assessores envolvidos nessas investigações. Os senadores interessados — entre eles o atual secretário de Estado, Marco Rubio — realizaram reuniões e entrevistas em instalações de inteligência compartimentada sensível, com “fontes altamente confiáveis relatando conhecimento direto e indireto da realidade de seres não humanos altamente inteligentes, de recuperações governamentais e engenharia reversa de naves não produzidas por seres humanos, e da recuperação de corpos de seres não humanos”, disse McConnell.
Ele participou de algumas dessas reuniões classificadas.
Os relatos apresentados ao Congresso incluíam supostas atividades governamentais ocultas semelhantes às descritas no caso Varginha, abrangendo muitas décadas. “Portanto, o que essas pessoas vão relatar hoje é impressionante, mas não constitui o único testemunho confiável sobre eventos desse tipo”, afirmou McConnell.
Em um depoimento em vídeo exibido durante a coletiva, Jacques Vallée, cientista da computação franco-americano que trabalhou em projetos da NASA e da DARPA e é um dos principais pensadores e autores sobre OVNIs há mais de cinquenta anos, mencionou um “sistema de armazenamento de dados” que ele e uma equipe científica compilaram para a Agência de Inteligência de Defesa dos Estados Unidos.
Além de mais de 200 mil registros de objetos anômalos em voo, Vallée afirmou que o banco de dados inclui “centenas de relatos de criaturas, vivas ou mortas, associadas a veículos que sofreram acidentes ou pousaram, de procedência desconhecida, incluindo alguns semelhantes aos de Varginha”, acrescentando que criaturas descritas em outros casos documentados respiravam ar normalmente.

Segundo Vallée, o caso Varginha é semelhante a muitos casos classificados existentes em registros científicos e médicos, mas também “apresenta um conhecimento novo e excepcional”, especialmente “na descrição profissional das características anatômicas e comportamentais da criatura viva recuperada pelas autoridades pouco tempo após a queda, até o momento de sua morte”.
Durante a conversa privada no gabinete de Burchett, Dr. Ítalo afirmou ter tomado conhecimento de que o ser que ele viu teria sido levado para a base militar da ESA, depois para Campinas e, em seguida, para os Estados Unidos.
“Todas as pessoas com quem conversamos disseram exatamente a mesma coisa”, afirmou Fox aos parlamentares.

Luna disse que o Congresso deveria buscar registros de voo da Força Aérea e uma autorização de pouso para confirmar qualquer operação americana de recuperação de corpos e destroços de Varginha, embora não se saiba se existe algum rastro documental desse tipo.
Mais tarde, durante a coletiva, o coronel aposentado e altamente condecorado da Força Aérea dos Estados Unidos, Fred Claussen, que possuía autorização de segurança de nível ultrassecreto, descreveu caminhos pelos quais a suposta missão secreta americana ainda poderia ser documentada.
Segundo ele, um controlador de tráfego aéreo brasileiro, Marco Feres, relatou que, por volta de 20 de janeiro de 1996, uma aeronave cargueira da Força Aérea dos EUA — muito provavelmente um C-17 — decolou de uma base americana e pousou no aeroporto de Viracopos, em Campinas, para recolher uma carga incomum, antes de seguir para um local desconhecido nos Estados Unidos.
Qualquer missão desse tipo, explicou o coronel, exigiria documentação do Comando de Mobilidade Aérea, na base de Scott, em Illinois, e da Ala de Mobilidade Aérea, na base de Charleston, na Carolina do Sul. O reabastecimento em voo exigiria registros adicionais, assim como um plano de voo internacional para o Brasil, mesmo que a missão fosse classificada. Em Campinas, também seriam necessários novos registros de reabastecimento e outro plano de voo internacional.

Mesmo sem um rastro documental, afirmou Claussen, ele acredita que entre trinta e quarenta americanos envolvidos na operação teriam conhecimento direto desse voo e de seu propósito.
“Aqui está o meu apelo”, concluiu. “Se você participou e tem conhecimento dessa missão, manifeste-se.”
Na sequência, McConnell afirmou que existe um entendimento equivocado de que acordos de confidencialidade assinados por integrantes da área de inteligência os impediriam de compartilhar informações sobre recuperações de FANIs com o Congresso. Eles não estariam sujeitos a responsabilização, disse ele, se apresentassem seus relatos em instalações devidamente seguras, como as SCIFs. Na verdade, afirmou, “é ilegal ocultar informações do Congresso”.
Segundo McConnell, ninguém jamais foi processado por fornecer informações classificadas ao Congresso. Na prática, disse ele, o próprio presidente “poderia autorizar a divulgação ao Congresso com um simples ato administrativo ou até por meio das redes sociais”.
Embora o aumento da divulgação sobre FANIs seja amplamente considerada uma pauta bipartidária no Congresso, “ainda não chegamos ao ponto de virada para a maioria dos parlamentares”, afirmou McConnell.
Uma operação conjunta de busca por evidências entre brasileiros e americanos pode estar em andamento. O senador brasileiro Eduardo Girão, que representa o estado do Ceará e presidiu uma audiência no Senado brasileiro sobre FANIs em 2022, foi a Washington para se reunir com membros do Congresso e participar do evento.
Atuando como cidadão privado, e não representando oficialmente o Senado brasileiro, Girão falou ao púlpito e elogiou as três testemunhas brasileiras pela coragem de se manifestarem.
Durante um intervalo, ele conversou com Burlison, que contou ter acordado às 4h da manhã para voar do Missouri e conseguir participar da coletiva.

“Você acha que pode conseguir acesso a vídeos ou a algum outro tipo de evidência material?”, perguntou Burlison a Girão.
“Vou tentar”, respondeu o senador.
Os dois discutiram a necessidade de um esforço conjunto para obter evidências tangíveis que possam ajudar a validar o incidente. Burlison afirmou já ter visto vídeos interessantes de FANIs, mas “nada que seja definitivamente em 4K”. Ele também mencionou autoridades americanas importantes que vieram a público, incluindo o atual secretário de Estado.
Segundo Burlison, tem sido difícil obter as evidências que gostaria de ver porque “existem várias entidades governamentais controlando essas informações, e algumas estão mais dispostas a cooperar do que outras; infelizmente, não estamos recebendo tudo”.
Seis outros brasileiros que desejavam prestar depoimento sobre o caso Varginha tiveram seus vistos negados pelo Departamento de Estado dos EUA, sob a justificativa de que poderiam permanecer ilegalmente no país. Por isso, em dezembro, Fox e sua parceira de produção, Aline Kras, retornaram ao Brasil para registrar esses depoimentos em vídeo e apresentá-los durante a coletiva.
Uma dessas testemunhas, Liliane Silva, hoje professora de educação infantil de 46 anos, afirmou que, em 20 de janeiro de 1996, por volta das 15h20, ela, a irmã e uma amiga pegavam um atalho para casa quando notou uma pichação em um muro. Logo abaixo, disse: “Eu vi a criatura”.
“Ela era baixa, tinha olhos vermelhos e pele marrom, como se estivesse coberta de óleo”, relatou Liliane.
“Quando eu a vi, tive uma sensação terrível, como se o mundo tivesse parado.” Ela gritou para alertar as outras. “A criatura olhou para mim”, continuou. “Eu olhei nos olhos dela. Tive a sensação de que ela estava sofrendo, que estava pedindo ajuda, se escondendo de alguém.”
Em seguida, ela e as outras meninas correram.
A irmã, Valquíria Silva, e a amiga, Kátia Xavier, deram relatos semelhantes em seus próprios depoimentos gravados. “Tinha três dedos na mão, um pé grande”, disse Kátia, acrescentando: “Parecia que ele estava sofrendo, me pedindo ajuda”.

Em seu depoimento, a mãe das irmãs Silva, Luiza Helena da Silva, contou que voltou ao local com Kátia cerca de vinte ou trinta minutos depois sem nada encontrar. No entanto, segundo ela, havia uma pegada com três dedos grandes e um cheiro muito forte, que permaneceu em seu nariz por várias semanas.
Algum tempo depois, relatou a mãe, quatro homens estranhos, vestidos de preto, foram até sua casa oferecendo uma maleta cheia de dinheiro para que suas filhas fossem à televisão mentir, descrevendo a criatura como um bezerro, um cachorro doente ou um ser humano doente. Ela recusou, afirmando ter ficado muito assustada com a visita.
Outra testemunha gravada em vídeo, não identificada e com o rosto oculto, afirmou que estava no Exército em 1996 e ajudou a transportar o ser do hospital de Varginha para Três Corações e, de lá, para Campinas, onde outros soldados assumiram a custódia. Ao retornar a Três Corações, disse: “Comentava-se que os americanos estavam com a criatura, tendo-a levado para um local não revelado”.
Durante a coletiva, Dr. Ítalo foi questionado sobre seu contato com o ser não humano no quarto do hospital em Varginha. Ele estava sangrando? Estava agitado?
“Ele estava inicialmente bem, apenas olhava pela janela”, respondeu Dr. Ítalo. “Naquele momento, eu já não estava ali como médico. O ser estava olhando diretamente para mim. Quanto mais ele me olhava, mais eu sentia uma sensação de paz; ele transmitia paz. Observava tudo o que acontecia como se estivesse anotando, como um grande observador de tudo ao seu redor.”
Questionado se teve algum contato posterior com inteligência não humana, o médico respondeu simplesmente: “Não”.
Fox afirmou que os vídeos das entidades estão em posse de pessoas que têm medo de divulgá-los, mas que, pela primeira vez, pode contar com o apoio do senador Girão e do deputado Burlison, que atualmente trabalha para fortalecer a proteção a denunciantes ligados a FANIs.
Em Varginha, novas pessoas continuam se manifestando. Em 26 de janeiro, Rosângela Ramos apareceu em vídeo gravado por James Fox, afirmando que seu falecido marido, Pedro Luiz Aguiar — chefe de polícia de Três Corações em 1996 e que estava de plantão durante o incidente — dizia ter visto a criatura, embora ela não tivesse mais detalhes. Aguiar morreu em dezembro.
Na coletiva, Burlison fez um apelo internacional por transparência.

“Não cabe a nenhum governo – por mais poderoso que seja – ocultar do restante da humanidade informações sobre o conhecimento de estarmos ou não sozinhos no universo”, afirmou, sob aplausos.
Dr. Ítalo diz não se arrepender de ter vindo a público.
“A verdade é que eu vi o ser”, disse. “Ele não era um ser deste planeta. Estamos falando de algo que muda o conceito de humanidade.”
“É importante que as pessoas saibam.”
Materiais adicionais relacionados a esta reportagem, incluindo declarações escritas e gravações em vídeo de depoimentos de testemunhas brasileiras, podem ser encontrados aqui.
Ralph Blumenthal e Leslie Kean, com Helene Cooper, foram co autores da reportagem exclusiva publicada pelo The New York Times em 2017 que revelou a existência da unidade secreta do Pentágono responsável por investigar OVNIs, o Programa Avançado de Identificação de Ameaças Aeroespaciais (Advanced Aerospace Threat Identification Program). Blumenthal e Kean também revelaram, em 2023, no The Debrief, a história do denunciante David Grusch. Blumenthal foi repórter do The New York Times de 1964 a 2009 e é autor do livro The Believer: Alien Encounters, Hard Science, and the Passion of John Mack (2021, University of New Mexico Press). Kean cobre o tema dos OVNIs há vinte e cinco anos e é autora de UFOs: Generals, Pilots and Government Officials Go on the Record (2010, Harmony Books/Crown), livro que se tornou best-seller do The New York Times.
